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17 de Agosto de 2018

Os oceanos ficarão corrosivos até o fim do século

Gm M., Representante Comercial
Publicado por Gm M.
há 5 anos

Peixes-palhao aproveitam o aconchego dos corais enquanto podem Foto JanineWikimediaPeixes-palhaço aproveitam o aconchego dos corais enquanto podem (Foto: Janine/Wikimedia)

Quando se fala em mudanças climáticas, pensamos primeiro em aumento de temperaturas. Mas a elevação das concentrações de gás carbônico na atmosfera tem outras consequências, não menos ruins. Uma delas é a acidificação dos oceanos. A maior parte do gás que jogamos na atmosfera é absorvida pelos mares. Graças a isso, a Terra não esquenta tanto. Por outro lado, o incremento de gás carbônico muda a química do mar. E essa alteração pode ter grandes consequências para a vida marinha. Inclusive a que nos alimenta.

Os números mais atuais sobre a tragédia oceânica em curso saíram de um simpósio sobre o tema, patrocinado pelas maiores academias de ciência do mundo e pela Unesco, o braço científico das Nações Unidas. O prognóstico não é bom.

Segundo os cientistas, o grau de acidez dos oceanos caiu 26% desde o início da revolução industrial. As águas dos polos ficam ácidas primeiro porque os mares frios são mais ricos em gás carbônico. Quanto mais quente a água, menor sua capacidade de reter o gás. É por isso que o refrigerante solta mais gás quando sai da geladeira. No ritmo atual de emissões, a acidez do mar deve aumentar em cerca de 170% até o final do século.

Algumas espécies de algas crescem com água mais ácida. Outras sofrem. Com a acidez crecente, as mais frágeis devem se extinguir. Isso vai reduzir a biodiversidade do oceano. Estima-se que a acidez crescente terá efeito negativo para 60% das espécies de moluscos e neutro para as outras. Será ruim para 70% dos peixes e neutra para os outros.

A situação é pior para os corais. Eles estão permanentemente construindo estruturas de calcário. Dependem de uma baixa acidez para crescerem. Se as altas emissões continuarem na atmosfera, o mar tropical ficará desfavorável para os corais crescerem em 2100. Mesmo com uma redução radical nas emissões, 50% do mar será ácido demais para os corais. O cenário fica mais complicado quando se soma outro fator negativo: o aquecimento da água. Os oceanos têm ficado mais quentes década após década. Além de tornar os furacões mais fortes e destrutivos, o calor da água causa a morte dos corais. Somando a acidez com o calor, os pesquisadores estimam que os corais parem de crescer no mundo em meados deste século. Isso têm grande impacto porque essas estruturas são o principal berçário do mar. Várias espécies de peixes, inclusive de valor comercial, dependem da saúde dos corais.

Em algumas regiões mais polares, o mar já está corrosivo demais para o crescimento de conchas de organismos marinhos. É caso de partes do Oceano Ártico.

Os pesquisadores estimam que em 2100 a decadência dos moluscos gere perdas de US$ 130 bilhões no mundo, se as emissões continuarem no ritmo atual. No caso dos corais, o prejuízo é orçado em US$ 1 trilhão no ano de 2100.

A acidificação atual do mar não tem precedentes na história conhecida da Terra. Não há nenhum evento parecido pelo menos nos últimos 300 milhões de anos. O único acontecimento comparável foi a grande extinção de 55 milhões de anos atrás. Mesmo assim, naquele período, o ritmo de acidificação do mar era só um décimo do atual. A nova velocidade acelerada de transformação do mar, dificulta as previsões do que pode acontecer com os ecossistemas marinhos. E conosco, que dependemos deles.

FONTE : ALEXANDRE MANSUR - http://epoca.globo.com

5 Comentários

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A titulo de esclarecimento, será que o aumento da acidez dos oceanos, não podem tambem ter como grande causa a extração de petroleo, cujos residuos são devolvidos ao mar sem qualquer tratamento? continuar lendo

Só espero que depois de alguns anos esses mesmos cientistas não venham a público pedir desculpas pelos índices alarmantes, como foi o caso do aquecimento global. Temos que preservar sim, mas com muita prudência! continuar lendo

isso mesmo o objetivo dessas reportagens desses comitês "científicos" é cobrar o "prejuízo" da destruição das matas para os países em desenvolvimento..a poluição e uma realidade, sabemos, mas muita coisa é "fake" como essa estória de aquecimento. continuar lendo

Desculpe-me mas é sabido que a associação do gás dióxido de carbono com a água acidifica-a, tornando a água mais corrosiva, isto é evidenciado nas ferragens expostas de edifícios antigos que começam a oxidar mais rapidamente á medida em que aumenta a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, que se dilui nos vapores de água e posteriormente se precipitam na terra sobre a forma de chuva ácida. Também na manutenção de equipamentos industriais, onde água e aço estão presentes, esta é uma preocupação recorrente já que o dióxido de carbono acidifica a água tornando-a mais ácida ainda para o aço corrosível.E os comitês não exageraram, apenas superestimaram os efeitos, e a passagem do norte comprova isto, o polo norte já não está congelando como no passado, e a outrora lendária passagem do norte que teoricamente devia permitir a passagem de navios do atlântico pára o pacifico já é uma lamentável realidade. continuar lendo